quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Saudade

Saudade do Morro Santana
Do Manoel Elias
Do Rubem Berta/Protásio
Do Passo/Dornelles
De passar pela roleta
Do sofá marrom gigantesco da minha sala de TV
Das tulipas de madeira bregas e empoeiradas da janela da minha cozinha
Do meu banheiro rosa que eu escolhi com sete anos
Da parede amarelo-ovo do meu quarto
Do meu armário triangular
Dos meus amigos incríveis
De esperar na fila do sushi do 40
De passar a tarde na casa da yasmine falando sobre o presente que sempre volta ao passado
Do brownie da famecos
Do Milk shake do Bob’s e do seu canudo constrangedor
Do vento no cabelo molhado ao passar pela passarela às 7h45
Das conversas no carro com o meu pai de manhã
Das conversar no carro com a minha mãe de tardezinha
Da comida da minha mãe, do meu pai e do meu vô
Da comida da Vera. Sim, eu repito: da comida da Vera
Do SAMIIIIIIIIIR
Da CÍNTHIAAAAAA
Das fofocas no saguão
Do Iguatemi. É. foda-se, do Iguatemi.
De uva!! Que aqui custa como ouro.


Mas principalmente do que deixei de fazer em Porto Alegre. Do que eu não fiz.


Porto Alegre, óculos escuros do MSN pra ti!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

em Porto Alegre dia 18


Finalmente mandei um e-mail pra minha terapeuta (e eu a chamarei de 'terapeuta' e não, de 'psiquiatra', para não dar um ar mentally disturbed para esse post). O amadurecimento desses quatro meses foi notado em algumas linhas, mira vos...



Do caralho essa UTI de pensamentos chamada intercâmbio. Tão do caralho que estou pensando em voltar em fevereiro para Porto Alegre. Para tentar dar os meus primeiros passos sozinha e ver aonde eu chego.



Ah, sim, e para rever a minha terapeuta.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

crazy Walt and me


all by myseeeeelf, iá iá

faltam duas semanas para acabarem as aulas
e o pânico vai tomando conta desse corpitcho.
as amizades voltam às suas cidades natais e
está na hora de fazer a to do list das férias e
descobrir se é possível ser feliz em Buenos Aires ALONE.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

sim

e se há dois natais eu tivesse escrito uma cartinha pro Papai Noel, hoje eu diria que esse velho tem um poder incrível. que duende de roupinha verde é melhor que muita máquina por aí e que rena é melhor que Ferrari.

estou ouvindo um cazuza agora, lacrimejando um pouco. pensando que já que Papai Noel não existe, eu deveria escrever uma cartinha era para a minha psiquiatra mesmo. e dizer que tudo aquilo que a gente discutia naquele consultório roxo era, sim, verdade. e que a vida pode, sim, ser muito boa. e que, livros de auto-ajuda à parte, se pode, sim, ter tudo que se quer.

andando nessas ruas largas de metrópole, eu me vejo crescer a cada dia em buenos aires. essa cidade que é, sim, do caralho. e eu sou (sim!) do caralho. porque, sabe como é, depois de tanta terapia, a gente descobre que não se precisa ser modesta o tempo todo.

antes que você venha com um sorriso espertinho, eu já digo que tem cara nessa história sim. já aviso que a minha felicidade não se resume aí. mas ele dá, sim, um toque especial.

e não me venha com papinho feminista setentista. que eu nunca tive muito peito e o sutiã sempre me fez bem.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Dicas & Sobrevivência em Buenos Aires

Depois de 9 semanas, minhas impressões:

- Olhe para cima: a capital argentina tem uma arquitetura incrível. Não perca cúpulas, torres, relógios e esculturas por estar olhando para a frente. Levante a cabeça! E já aproveite para dar uma de nativo com o seu nariz agora empinado.

-Olhe para baixo: Não sei se em Porto Alegre há menos cachorros ou se o pessoal lá é realmente mais solidário com o sapato alheio, mas a quantidade de cocô nas ruas por aqui é grande. Preste atenção nas calçadas para não acabar na merda.

-Olhe para os lados: Faixa de segurança são apenas listras brancas que decoram o asfalto. Não espere que os carros parem para você. Nem mesmo se o semáforo estiver vermelho e você ver aquele famoso homenzinho verde iluminado. Nem mesmo se você ver um louco atravessando a rua entre carros e caminhões. Demora um tempinho para pegar o timing do trânsito portenho. Só vá quando a possibilidade de ser atropelado for NULA.

-Cuidado com os brasileiros: Se você ver por aí um cara vestido a caráter de brasileiro, preste atenção se ele realmente é seu conterrâneo. Por aqui, abrigo verde e amarelo é o uniforme dos garis (Coincidência? I don't think so...)

-Para os encontrar: Se você ficou muito triste com o item anterior e quer comentar essa filhadaputice argentina com alguém, vá à Calle Florida. Está cheinha de brasileiros... alguém se compadecerá do seu causo. Outros lugares cheinhos de carnaval&samba&língua portuguesa são: Plaza de Mayo, Caminito (esse também repleto de gringos), Feria de San Telmo e Feria de la Recoleta (ambas nos domingos).

-Sobre a Plaza de Mayo: Olhe para cima (item 1), mas com moderação. Apesar da arquitetura interessante e blablabla, as pombas dominam o lugar. Você não só pode levar um cocô de pomba na cara como poderá fazer isso enquanto encontra um ex-colega do colégio, um ex-namorado ou qualquer outro brasileiro que você conheça. .

-Vá a pé: Não dê uma de brasileiro que precisa de carro para sobreviver e caminhe. Caminhe, caminhe, caminhe. O subte (metrô) é uma boa pedida se o local for muuuuito longe. Existem várias linhas, que se interligam. Se você tiver sorte/azar, ainda poderá comprar lenços de papel, canetinhas, lanternas e canetinhas-lanternas no caminho. O mercado informal está invadindo as vias subterrâneas da cidade.

- Uma atração à parte: Ir de metrô é fácil, mas você não verá Buenos Aires. Para se locomover e ao mesmo tempo fazer um tour, pegue os colectivos. Eles existem em grande quantidade e para todos os lados. Compre um livrinho chamado Guía T, que custa uns 3 reais, e assim você poderá ir a qualquer lugar. Preste atenção na parte da frente do ônibus, onde fica o motorista. Os colectiveros decoram os 'seus' espaços: espelhos em formato de coração, frases de amor, pendurucalhos, foto dos Três Patetas. É, no mínimo, engraçado.

-Elas valem ouro: Por razões desconhecidas (cada um tem a sua versão da história), há uma crise de moedas na Argentina. Elas são artigo raro por aqui e, para complicar, são fundamentais para andar de ônibus (você não pode pagar com notas, já que se bota a grana numa maquininha). Economize todas que você puder. E, caso lhe sobre alguma antes de voltar pro Brasil, give me a call. Eu preciso de moedas.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

la razón

Eu pensava que essa viagem resultaria em infinitos textos. E provavelmente você, leitor (caso alguém ainda passe por aqui depois dos meus dois meses blogamente sabáticos), também. Bom, francamente, a verdade é que sim. A verdade é que esse tempinho em Buenos Aires gerou muitas idéias e algumas frases no bloquinho.
Mas a questão é que (e isso só meu dei conta aqui e não acho que seja possível perceber-lo sem provar uma experiência dessas) quando se passa por algo tão maravilhosamente novo e tão absurdamente enriquecedor, a necessidade de transmitir isso aos outros se perde. Ou pelo menos para mim se perdeu.
De certa forma, eu escrevi muitos textos. Frases desordenadas que ocuparam meu cérebro como pensamentos sem fim. Só que eles não viraram letras numa folha nem código binário na tela do meu computador. Esse intercâmbio é um longo e complexo texto para mim. De mim, para mim.

sábado, 26 de julho de 2008

no fundo do mar

e cá estamos. nos jogamos aos tubarões. e onde fomos parar? num rico e amplo oceano de oportunidades. metáforas à parte, nosso quarto por aqui se chama (porque nessa casa las habitaciones têm nomes e temáticas) Fondo del Mar.

com peixinhos de plásticos, paredes azuis e uma prancha pendurada no teto, a casa Don Sancho nos lembra porque mesmo estamos aqui, longe de tudo e de todos. jogadas ao mar.

a luana (também conhecida como minha boínha de braço) e eu ainda estamos na etapa da mentalização de "não, isso não é uma viagem de 8 dias de férias. sim, nós teremos que cozinhar, arrumar a cama (para esse item há controvérsias) e fazer o rancho". hoje compramos nossos celulares. até já tem uns contatos. uma agenda q deverá se encher nos próximos tempos.
e nessas horas que percebo que ainda há muita coisa maravilhosa para acontecer que me alegro de estar aqui.


mas boa parte dos momentos, passa pelo meu corpitcho o pensamento: "por que mesmo estou fazendo cocô fora de casa?"

terça-feira, 10 de junho de 2008

Caminhando na prancha

liza diz:
miguel!
liza diz:
sexta tu vai tá na puc de tarde?
liza diz:
eu tenho uns livros da aline q eu quero devolver antes de ir embora.


embora.

eu vou embora.

EMBORA.

em-bo-ra.

E-M-B-O-R-A.

embora!!


putaquipariu. eu vou embora. embora de porto alegre. embora da famecos. embora das aulas de francês. e das de ginástica. e das sessões de terapia. eu vou embora da possibilidade de encontrar os meus amigos todos os dias do ano. de morar com os meus pais (o que pode parecer bom, mas na prática dá um medinho. aliás, um medão).


eu nunca me joguei voluntariamente em alto-mar assim. passei uns dias sozinha num congresso no interior do estado, duas semanas no Uruguai na casa de amigos da família. mas eu sempre tinha uma boínha, um colete salva-vidas, um apito à la Kate do Titanic. na verdade, esse oceano de possibilidades era (aliás, ainda é) o instigante nessa história toda.

porém, quando você se depara com o fato de ir por livre e espontânea vontade ao encontro dos tubarões, um frio na barriga lhe pega de supresa. ou pelo menos me pegou de supresa. Porque eu sempre (sempre meaning desde os meus 11 anos) quis viajar, estudar fora, conhecer gente dos quatro cantos do planeta; logo, ir embora (e a maledeta aparece de novo) seria natural. faria parte da minha 'evolução' como pessoa e seria sufucientemente bom para fazer do meu presente algo descartável. eu substituiria o presente por um futuro enriquecedor.


'essa viagem mudou a minha vida', era o que dizia no power point projetado no primeiro encontro dos intercambistas da pucrs. po, mudou? tipo, totalmente? mas e se eu gosto da minha vida do jeito que ela é?

ok que a vida é feita de vicissitudes. mas grandes mudanças são bastante assustadoras. a outra grande revira-volta que presenciei nesses 19 anos foi justamente quando me dei conta da existência dessas transformações. quando percebi que nada era para sempre e que tudo (e todos) mudam. foi um choque. me supreendeu de tal forma que por uns dois meses (que pareceram décadas) fui tomada por uma ausência de felicidade. e então, do pior momento da minha existência, surgiu o melhor. eu construí o período que eu vivo hoje. e é desse que eu não queria ir embora.


esse embora me persegue.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A próxima participante da Dança dos Famosos

Manhã de domingo é hora de adolescente estar na cama dormindo. Mas às 11 da matina do dia 27 de abril cerca de quinhentos deles se aglomeravam entre a Avenida Ipiranga e a Rua Araújo, em São Paulo. Por acaso, quando eu cheguei perto do palco, a menina pulou pela lateral do palanque, ficando alguns metros de mim. O dedo indicador da minha mãe já apontava:


- Ali Liza, ALI! Olha ela ali.


Até a minha mãe sabe quem é Mallu Magalhães (aliás, ironicamente, a minha mãe já a conhecia antes de mim, numa de suas andanças pela blogosfera). Faixas de cartolina eram firmemente seguradas por fãs, e o chapéu usado por algumas garotas já indicavam uma modinha malludiana. Já mostravam que muita gente conhece Mallu Magalhães.



O quê? Você não sabe quem é Mallu Magalhães?



Mallu Magalhães é a mais nova filha da internet. No seu décimo quinto aniversário, pediu os presentes dos pais e dos avós em dinheiro. Gastou tudo com a gravação de quatro músicas de sua autoria, em inglês, no mais belo estilo folk influenciado por Johnny Cash e Bob Dylan, e as botou no MySpace. Depois de 894 mil e 511 acessos do seu perfil (até ontem), não preciso nem dizer que ela é a mais nova sensação da música independente no Brasil. A garota de 15 anos ri com facilidade, tem uma voz doce e um timbre de menininha de 12. Para completar, no seu aniversário, ainda cortou o cabelo bem curto, para doar o resto a crianças com câncer. Ela é quase um monge tibetano ou um teletubbie: não dá para não gostar de Mallu Magalhães.


Mallu já esteve em Porto Alegre, porém eu é que não estava na capital gaúcha, tinha ido a um casamento em Santa Maria. Mas, beneficiada pelo acaso, fui para São Paulo bem no final-de-semana em que a cantora faria um show gratuito na cidade. Era a Virada Cultural, 24h de programação intensa na maior metrópole da América do Sul. Entre as 18h de sábado e as 18h de domingo (26 e 27 de abril), você poderia encontrar filmes, shows e muito mais em SP, tudo grátis. E num jornal dando bobeira no banco de trás taxi, eu li que às 11h do outro dia tinha show da Mallu Magalhães.


Não era exaaaatamente da Mallu Magalhães. Era uma apresentação do Projeto Overcoming Trio, que também inclui Helio Flanders (da Vanguart) e Zé Mazzei (da Forgotten Boys). Logo, os hits de Mallu (Tchubaruba já foi tocada mais de 190 mil vezes no espaço dela) não eram o foco do show, fato bastante lembrado pela platéia (de vez em quando, alguém berrava 'CANTA UMA SUAAAA'). Durante as canções, ainda era possível escutar 'lindaaaa', o que dava um ar pedófilo para a ocasião. 'Linda' é coisa para mulherão. Mallu é muito bonitinha, uma menininha sem bundinha e sem peitinho com uma vozinha muito fofinha.

Munida de um iPobre e uma maquininha digital, lá estava eu tentando curtir as melodias enquanto cumpria o meu papel de estudante de jornalismo. Registrando o possível, escutando tudo ao meu redor. Em frente ao Palco das Meninas, na Rua Araújo, tinha quem amasse Mallu Magalhães. E quem dissesse 'Mallu-quem?'. E quem logo explicasse aos desinformados que Mallu Magalhães estava na moda. Quem explicasse porque gente de vinte e poucos estava de pé (literalmente, já que não havia banquinhos) num domingo de manhã para ouvir uma garota com jeito de criança tocar.

Por uma hora, eles tocaram Beatles, The Animals, Johnny Cash e canções próprias. E, por último, os garotos sairam de cena e deixaram Mallu com seus fãs, para os quais ela cantou uma versão diferente de J1, outro hit.





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No final da música, fãs já se aglutinavam perto da lateral do palco. Mas ela saiu correndo, com uma expressão perplexa de quem não entende porque marmanjos e mulherões gritavam 'uma foto Malluuuu, uma foto pra comuuuuu' (a rima dava um tom mais ridículo). E entrou num carro preto, de vidros escuros, como aquelas celebridades que são supreendidas pelo Arquivo Confidencial no Faustão.


Uma atração à parte que dispensa comentários:


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sexta-feira, 11 de abril de 2008

E depois dizem q é o brasileiro que tem a ginga

(tirado do blog Desculpe a Poeira)



essa é o novo estilo de dançar francês. Dos jovens, é claro.
Ele se chama Tecktonik.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Pior que o Faustão, só os reclames do plim-plim

Não existe profissional mais cool e moderninho que ele. A maioria dos publicitários até pode ganhar uma merreca, mas ainda assim capricha no visual. Você pode reconhecê-los pelo estilo, ou pelo olhar Eu-mando-você-compra que muitos apresentam por aí. Mas ok se uma boa parte tem esse ar esnobe. A criatividade dos publicitários é capaz de fazer milagres. Eles podem transformar os piores produtos em grandes objetos de consumo. Entretanto, há uma lacuna, uma mancha no currículo perfeito desses profissionais: os comerciais de pasta de dente.


Não há nada mais insosso e murrinha que os trinta segundos reservados aos cremes dentais. A publicidade expõe a sua decadência de duas formas. Ou ela seleciona os atores com as caras mais idiotas – homens, mulheres, crianças... sem preconceitos, quanto mais idiota melhor – e faz deles protagonistas dos benefícios do tal produto. Ou ainda o comercial apresenta um dentista que tem meio minuto de fama para afirmar qual é a pasta dental que ele recomenda. Os próprios dentistas, coitados, ainda se contradizem em cada campanha: um diz que a melhor é a fresh, o próximo afirma que só recomenda a whitening, o outro fala que apenas a Total 12 protege os seus dentes como eles merecem e como suas gengivas necessitam. E eu, que quero uma boca fresh whitening com proteção durante 12 horas, fico sem saber o que comprar.


O publicitário consegue fazer aqueles comerciais de perfume subjetivos, etéreos... e esquecem do produto que eu sou obrigada a consumir todos os dias. Sou obrigada a ser conivente com esse vazio de criatividade, já que tenho que usar alguma pasta de dente diariamente. Por que nenhum publicitário descolado ainda não revolucionou os comerciais de creme dental?


Mesmo estudando jornalismo, um dia hei de produzir o seguinte comercial: uma mulher nua aparece nadando, envolvida por milhares de folhas de menta. Ela sai da piscina. O telespectador agora só a vê de costas, andando até um homem lindo. Eles se beijam, e muda de cena. Aparece a pasta de dente e uma narradora sussurra ao fundo: Miiiiint.


Bah, ficarei milionária.

ps: Esse texto é um JaQ. O assunto já estava na minha cabeça há um bom tempo, mas só o escrevi quando eu tive que produzir uma crônica radiofônica. Eu mudei ela um pouco para publicar aqui, mas ainda assim não consegui tirar esse ar emocionado/idiota do post... madita cadeira de Radiojornalismo!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Agora sou sopeira



Meses atrás, um estudante de jornalismo da minha universidade teve a ótima idéia de agrupar os tantos blogs de estudantes da faculdade num site. Era um monte de gente escrevendo e comentando nos blogs dos outros, mas não existia nada que juntasse todos.

No dia 3 de março, Thales Barreto lançava o Sopa de Letras! E desde hoje eu faço parte dele. Espero adicionar ainda mais tempero nessa proposta muito boa!


Confira lá os outros blogueiros!

Manhattan virou mocinha


O que você fazia em março de 1993? Se nós temos a mesma idade, você provavelmente deixava a acolhedora creche e iniciava a longa jornada escolar, o desconhecido Jardim A. Mal sabia eu, nos meus insignificantes cinco anos de idade, que nascia naquele mês o programa que hoje me deixa acordada nas noites de domingo.



A internet ainda estava no útero, e Caio Blinder ainda tinha uma digna cabeleira quando Lucas Mendes teve a audaciosa idéia de desenvolver um programa de TV feito em Nova York sobre Nova York. Um programa que seria transmitido para nós, brasileiros desafortunados que não respiram o ar da Grande Maçã. Faria uma ligação, seria uma conexão com NY, com Manhattan. E ali brotou o Manhattan Connection.




Inicialmente era elaborado por Lucas Mendes, Caio Blinder, Paulo Francis e Nelson Motta. Francis sofreu um infarto em 96 e partiu dessa para melhor (quer dizer, melhor que NY? Só acredito vendo...), porém Mendes e Blinder ainda compartilham a bancada (aliás, bancada que, junto do cenário, já mudou várias vezes). A cadeira com o possível bordado 'Personalidade Cáustica Que Joga Merda no Ventilador', antes do Francis, já foi ocupada por Arnaldo Jabor e agora senta Diogo Mainardi (o rei da discórdia faz o programa nova-iorquino do Rio de Janeiro, é claro).




Hoje, o mundo financeiro vem pela voz de Ricardo Amorim, e a cultura da ainda capital do planeta é exposta por Lúcia Guimarães (presente desde 93 nos bastidores do programa). Mendes é o âncora, Blinder é o especialista em Relações Internacionais, e Mainardi é o encarregado de discordar de todos e de lembrar que o Brasil é um lixo.




Neste mês, o Manhattan Connection assopra as velas e vira mocinha ao comemorar o décimo-quinto ano de programa. Se a festa de 15 anos é um rito de passagem para entrar na sociedade, Manhattan Connection pode dispensar o bolo vivo e o vestido de princesa. O mais antigo programa por assinatura do Brasil não tem nada de debutante. É maduro e culto. Mas também é humorístico e um tanto anárquico, mas isso é porque é feito por nova-iorquinos ainda brasileiros. O seu segredo é fazer de nós, habitantes do Terceiro Mundo, um pouco nativos da Big Apple. Você fica sabendo da estréia de uma ótima peça da Broadway ou de um artista em ascensão (o fato de você não estar lá para conferir é mero detalhe).




Ao ligar a TV no 41 da Net, às 23h de domingo, você verá naquele estúdio vermelho e azul uma ligeira bagunça: é gente falando junto e enchendo o saco do colega do lado. E é por isso que dizem por aí que o Manhattan Connection é uma espécie de 'Saia Justa (outro programa do canal) para homens'... já que machos discutem Política e Economia, enquanto que as fêmeas só conversam sobre cabelo e manicure. ÃH? Pois é... tem opinião para tudo.



O certo é que o Manhattan Connection é um programa para quem quer estar bem informado, feito por jornalistas competentes. O que também é certo, mas não parece, é o fato de ele ser produzido por voluntários (sim, acredite!), num estúdio cedido pela Reuters. Aliás, a Lúcia Guimarães tem que responder vários e-mails de jovens jornalistas pedindo uma vaguinha nos bastidores da Conexão... e decepcioná-los ao confessar que o programa é feito no amor pela camiseta, por brasileiros residentes na cidade (obs.: antes de me formar ainda terei que adquirir essa cara-de-pauzice jornalística de pedir emprego...).



Confira aí abaixo parte de um programa. Neste, Diogo Mainardi cita a minha universidade, a PUCRS.



domingo, 10 de fevereiro de 2008

Luxo no lixo

Nos tempos de ócio, reservado apenas para a parcela estudantil deste planeta, estive pensando num dos fatos mais paradoxais dessa vidia loca. Comprar me dá (será que é só comigo?) tanto prazer quanto jogar coisas fora. Não digo naquele sentido bonito, solidário e cristão de Campanha do Agasalho em que você imagina uma pessoa carente feliz por estar quentinho neste inverno. Falo da sensação de aglomerar num grande saco azul/preto/marrom todos aqueles objetos que você, a partir de um certo período, passou a achar desnecessário na sua vida.


Ir no shopping e voltar para casa cheia de sacolas é como pegar essas mesmas sacolas, as encher de cacarecos (vendo aquela prateleira, antes abarrotada, agora no mais completo vazio) e as colocar à disposição dos lixeiros.


Deve dizer em muitos livros de auto-ajuda: jogar fora limpa a alma. Bom, ou pelo menos limpa a casa. Na verdade, não precisa nem ser um processo radical. Um dia desses faxinei as comunidades do meu orkut. Tirei todas aquelas que não eram para mim indispensáveis. Não era pelo espaço, claro. E, sim, pela sensação. A sensação de fazer espaço.


Sempre tive uma certa inveja de gente que vive de mudança. Ok, dá trabalho empacotar uma casa, e os móveis nunca chegam intactos ao destino final. Mas ainda assim... você é obrigado a rever peça por peça que foi adquirida durante a sua vida e traçar os seus destinos: love it or leave it.


Em pelo menos 80% dos filmes que apresentam uma avó no elenco (porcentagem totalmente livre), há uma caixa de recordações. A senhora arrasta os pés cansados até a cômoda do quarto, abre a primeira gaveta e tira, com as duas mãos, uma pequena caixa de madeira. Tira a poeira da tampa com uma das mãos e abre. Ali tem a foto de seus pais ainda jovens, alguma jóia de família e quem sabe algum brinquedinho de infância.


Nossa.... eu achava aquilo o mááááximo. TODA uma vida naquele espacinho?! Aí quis fazer igual. E desde então eu tenho a minha caixa de recordações. Ela começou numa caixa de sapatos. Aumentos junto com o pé e hoje é a caixa de uma bota. E olha que lá tem praticamente só papel. As fotos dos meus pais ocupam boa parte de um armário da sala, e os brinquedos... putz! um armário inteiro do meu sótão (e eles são sempre alvo de faxinas! eu juro!)!


Me sinto um pouco como um computador, com uma 'memória' limitada. Que para viver mais, saber mais, tenho que me livrar de outro tanto. É com uma grande satisfação que lembro que vou estudar em Buenos Aires em agosto( obaaaaaa!). Juntarei todos meus pertences dentro de uma mala. Ok, dentro de uma graaaaande mala.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Yorks

Eu tinha 11 anos quando encostei meus pés já número 37 em terras britânicas. Minha mãe, que na época fazia um curso de inglês em Leeds (a terceira maior cidade do Reino Unido, perdendo para Londres e para Manchester), foi até uma cidadezinha ali perto junto com a sua turma para fazer um trabalho de aula. Como uma boa parcela da classe era árabe e estava em pleno Ramadã, sobraram muitas vagas no ônibus (pelas leis do Islã, não se pode se afastar 40 km da sua mesquita durante o período de jejum). Enfim, meu pai e eu fomos convidados a participar do passeio.

Fomos parar em York. Uma cidade de 120 mil habitantes que você leva no máááximo um dia para a conhecer de cima a baixo. Entre as GRAAANDES atrações dessa 'metrópole', estava uma miniatura de diabo medieval que marca a rua Stonegate, esta construída sobre uma estrada romana. Outro ponto interessantííímo (entre tantoooos, claro): a menor rua de York tem o nome mais longo de todos e se originou na época dos saxões: 'Whip Ma Whop Ma Gate' significa 'Nem uma coisa nem outra'. Intrigante.



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Pisando na Grande Maçã é praticamente impossível acreditar que alguém lembrou de York para a nomear. Claro... isto foi em 1664, numa época em que se resumia à área que hoje se chama Lower Manhattan (a pontinha sul de Manhattan). Mas ainda assim é estranho pensar que aquela megalópole não nasceu assim: cheia de chineses, latinos (os tais mexicanos) e Starbucks por todos os lados.


Mesmo se você ainda não teve o privilégio de ter que espichar o pescoço para observar um prédio de mais de uma dezena de andares, em uma hora aqueles arranha-céus viram triviais. É só respirar aquele arzinho new yorker que você já se acha a Andrea do Diabo Veste Prada (depois que ela descobre a moda, é claro). O brasileiro, famoso por achar que o seu país é campeão em tudo (acredite: temos essa fama...), deve esconder o ego em Nova York. Lá você encontra a maior loja do mundo (a Macy's, ocupante de um quarterão inteiro e possuidora de nove andares), a maior igreja católica do mundo, o maior museu do Ocidente (o Metropolitan), em que há a maior coleção de artefatos egípcios fora do Egito. Entre outros tantos 'o maior', 'do mundo',.. que eles não cansam de colecionar.


(Para ver a vitrine da Macy's decorada para o Natal, para conhecer os meus pais e/ou para testemunhar um rápido conflito familiar, assista ao vídeo abaixo:)


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ps: texto antiiiigo.. e menor do que o imaginado... mas já estava na hora de tirá-lo dos rascunhos...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Porto Triste

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Voltei a Porto Alegre neste domingo umas centenas de gramas mais gorda e com o coração pesando quilos. De pícnic em Palermo à festa en Amerika, choro só de lembrar.

A melhor viagem da minha vida aconteceu meio que por acaso, sem muito planejamento. Comigo achando que o albergue era longe e com medo de ter pouco dinheiro. Nasceu de uma coversa meio a esmo no campus da PUCRS, sentada numa muretinha na frente do Banrisul.

A melhor viagem da minha vida durou apenas nove dias e oito noites e teve como rumo a 'Cidade Mais Européia da América Latina'. Ela não me encantou de cara. Buenos Aires é muito bonita, por supuesto. Há um jeito bonitinho e meigo de Montevidéu (com seus habitantes no mais glorioso penteado mullet). Pero también hay um ar de megalópole, com seu metrô que cruza a cidade por $0,90, seus bairros carésimos e seus parques verdes e limpinhos.

Mas o que me encantou mesmo foram as pessoas que conheci. Já no primeiro dia, foi quase um brasileiro/hora. De noite, já tinham três planejando o que nós (sim, já tinhamos virado 'nós' nesse ponto) iamos fazer na manhã seguinte. Depois ainda vieram colombianos e americanos.

Aperfeiçoei meu portuñol e até falei um pouco de inglês. Mas, para mim, o português nunca fez tanto sentido: saudade.

domingo, 20 de janeiro de 2008

El MEJOR viaje de mi vida

viagem a buenos aires:
classificação: ponto F. e muitos outros pontos.