quarta-feira, 17 de setembro de 2008

la razón

Eu pensava que essa viagem resultaria em infinitos textos. E provavelmente você, leitor (caso alguém ainda passe por aqui depois dos meus dois meses blogamente sabáticos), também. Bom, francamente, a verdade é que sim. A verdade é que esse tempinho em Buenos Aires gerou muitas idéias e algumas frases no bloquinho.
Mas a questão é que (e isso só meu dei conta aqui e não acho que seja possível perceber-lo sem provar uma experiência dessas) quando se passa por algo tão maravilhosamente novo e tão absurdamente enriquecedor, a necessidade de transmitir isso aos outros se perde. Ou pelo menos para mim se perdeu.
De certa forma, eu escrevi muitos textos. Frases desordenadas que ocuparam meu cérebro como pensamentos sem fim. Só que eles não viraram letras numa folha nem código binário na tela do meu computador. Esse intercâmbio é um longo e complexo texto para mim. De mim, para mim.

sábado, 26 de julho de 2008

no fundo do mar

e cá estamos. nos jogamos aos tubarões. e onde fomos parar? num rico e amplo oceano de oportunidades. metáforas à parte, nosso quarto por aqui se chama (porque nessa casa las habitaciones têm nomes e temáticas) Fondo del Mar.

com peixinhos de plásticos, paredes azuis e uma prancha pendurada no teto, a casa Don Sancho nos lembra porque mesmo estamos aqui, longe de tudo e de todos. jogadas ao mar.

a luana (também conhecida como minha boínha de braço) e eu ainda estamos na etapa da mentalização de "não, isso não é uma viagem de 8 dias de férias. sim, nós teremos que cozinhar, arrumar a cama (para esse item há controvérsias) e fazer o rancho". hoje compramos nossos celulares. até já tem uns contatos. uma agenda q deverá se encher nos próximos tempos.
e nessas horas que percebo que ainda há muita coisa maravilhosa para acontecer que me alegro de estar aqui.


mas boa parte dos momentos, passa pelo meu corpitcho o pensamento: "por que mesmo estou fazendo cocô fora de casa?"

terça-feira, 10 de junho de 2008

Caminhando na prancha

liza diz:
miguel!
liza diz:
sexta tu vai tá na puc de tarde?
liza diz:
eu tenho uns livros da aline q eu quero devolver antes de ir embora.


embora.

eu vou embora.

EMBORA.

em-bo-ra.

E-M-B-O-R-A.

embora!!


putaquipariu. eu vou embora. embora de porto alegre. embora da famecos. embora das aulas de francês. e das de ginástica. e das sessões de terapia. eu vou embora da possibilidade de encontrar os meus amigos todos os dias do ano. de morar com os meus pais (o que pode parecer bom, mas na prática dá um medinho. aliás, um medão).


eu nunca me joguei voluntariamente em alto-mar assim. passei uns dias sozinha num congresso no interior do estado, duas semanas no Uruguai na casa de amigos da família. mas eu sempre tinha uma boínha, um colete salva-vidas, um apito à la Kate do Titanic. na verdade, esse oceano de possibilidades era (aliás, ainda é) o instigante nessa história toda.

porém, quando você se depara com o fato de ir por livre e espontânea vontade ao encontro dos tubarões, um frio na barriga lhe pega de supresa. ou pelo menos me pegou de supresa. Porque eu sempre (sempre meaning desde os meus 11 anos) quis viajar, estudar fora, conhecer gente dos quatro cantos do planeta; logo, ir embora (e a maledeta aparece de novo) seria natural. faria parte da minha 'evolução' como pessoa e seria sufucientemente bom para fazer do meu presente algo descartável. eu substituiria o presente por um futuro enriquecedor.


'essa viagem mudou a minha vida', era o que dizia no power point projetado no primeiro encontro dos intercambistas da pucrs. po, mudou? tipo, totalmente? mas e se eu gosto da minha vida do jeito que ela é?

ok que a vida é feita de vicissitudes. mas grandes mudanças são bastante assustadoras. a outra grande revira-volta que presenciei nesses 19 anos foi justamente quando me dei conta da existência dessas transformações. quando percebi que nada era para sempre e que tudo (e todos) mudam. foi um choque. me supreendeu de tal forma que por uns dois meses (que pareceram décadas) fui tomada por uma ausência de felicidade. e então, do pior momento da minha existência, surgiu o melhor. eu construí o período que eu vivo hoje. e é desse que eu não queria ir embora.


esse embora me persegue.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A próxima participante da Dança dos Famosos

Manhã de domingo é hora de adolescente estar na cama dormindo. Mas às 11 da matina do dia 27 de abril cerca de quinhentos deles se aglomeravam entre a Avenida Ipiranga e a Rua Araújo, em São Paulo. Por acaso, quando eu cheguei perto do palco, a menina pulou pela lateral do palanque, ficando alguns metros de mim. O dedo indicador da minha mãe já apontava:


- Ali Liza, ALI! Olha ela ali.


Até a minha mãe sabe quem é Mallu Magalhães (aliás, ironicamente, a minha mãe já a conhecia antes de mim, numa de suas andanças pela blogosfera). Faixas de cartolina eram firmemente seguradas por fãs, e o chapéu usado por algumas garotas já indicavam uma modinha malludiana. Já mostravam que muita gente conhece Mallu Magalhães.



O quê? Você não sabe quem é Mallu Magalhães?



Mallu Magalhães é a mais nova filha da internet. No seu décimo quinto aniversário, pediu os presentes dos pais e dos avós em dinheiro. Gastou tudo com a gravação de quatro músicas de sua autoria, em inglês, no mais belo estilo folk influenciado por Johnny Cash e Bob Dylan, e as botou no MySpace. Depois de 894 mil e 511 acessos do seu perfil (até ontem), não preciso nem dizer que ela é a mais nova sensação da música independente no Brasil. A garota de 15 anos ri com facilidade, tem uma voz doce e um timbre de menininha de 12. Para completar, no seu aniversário, ainda cortou o cabelo bem curto, para doar o resto a crianças com câncer. Ela é quase um monge tibetano ou um teletubbie: não dá para não gostar de Mallu Magalhães.


Mallu já esteve em Porto Alegre, porém eu é que não estava na capital gaúcha, tinha ido a um casamento em Santa Maria. Mas, beneficiada pelo acaso, fui para São Paulo bem no final-de-semana em que a cantora faria um show gratuito na cidade. Era a Virada Cultural, 24h de programação intensa na maior metrópole da América do Sul. Entre as 18h de sábado e as 18h de domingo (26 e 27 de abril), você poderia encontrar filmes, shows e muito mais em SP, tudo grátis. E num jornal dando bobeira no banco de trás taxi, eu li que às 11h do outro dia tinha show da Mallu Magalhães.


Não era exaaaatamente da Mallu Magalhães. Era uma apresentação do Projeto Overcoming Trio, que também inclui Helio Flanders (da Vanguart) e Zé Mazzei (da Forgotten Boys). Logo, os hits de Mallu (Tchubaruba já foi tocada mais de 190 mil vezes no espaço dela) não eram o foco do show, fato bastante lembrado pela platéia (de vez em quando, alguém berrava 'CANTA UMA SUAAAA'). Durante as canções, ainda era possível escutar 'lindaaaa', o que dava um ar pedófilo para a ocasião. 'Linda' é coisa para mulherão. Mallu é muito bonitinha, uma menininha sem bundinha e sem peitinho com uma vozinha muito fofinha.

Munida de um iPobre e uma maquininha digital, lá estava eu tentando curtir as melodias enquanto cumpria o meu papel de estudante de jornalismo. Registrando o possível, escutando tudo ao meu redor. Em frente ao Palco das Meninas, na Rua Araújo, tinha quem amasse Mallu Magalhães. E quem dissesse 'Mallu-quem?'. E quem logo explicasse aos desinformados que Mallu Magalhães estava na moda. Quem explicasse porque gente de vinte e poucos estava de pé (literalmente, já que não havia banquinhos) num domingo de manhã para ouvir uma garota com jeito de criança tocar.

Por uma hora, eles tocaram Beatles, The Animals, Johnny Cash e canções próprias. E, por último, os garotos sairam de cena e deixaram Mallu com seus fãs, para os quais ela cantou uma versão diferente de J1, outro hit.










No final da música, fãs já se aglutinavam perto da lateral do palco. Mas ela saiu correndo, com uma expressão perplexa de quem não entende porque marmanjos e mulherões gritavam 'uma foto Malluuuu, uma foto pra comuuuuu' (a rima dava um tom mais ridículo). E entrou num carro preto, de vidros escuros, como aquelas celebridades que são supreendidas pelo Arquivo Confidencial no Faustão.


Uma atração à parte que dispensa comentários: